Cantinho de uma mente perturbada...: Março 2014

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quinta-feira, março 13, 2014

Sobre um bichaninho...

Como devemos lidar com um evento muito ruim que acontece à nossa frente, e nós sabemos que poderíamos ter evitado de algum modo? Eu indiretamente matei um gatinho... Estou me sentindo muito culpado, totalmente responsável - realmente, o pior dos humanos.
Ontem à noite, saí para passear com Hachi, meu cão. Quando estávamos voltando pra casa, no calçadão, apareceu um gatinho preto, filhotinho... bem lindinho. Ele viu Hachi e correu pra debaixo de um carro. Ainda pensei "Bichinho, com medo dum bestão que nem Hachi... espero que ele saia logo daí debaixo, para não ser atropelado." Então, virei as costas pra voltar pra casa.
NA MESMA HORA que me virei, passaram duas moças por mim e entraram no bendito carro. Quando ouvi o barulho do motor, veio aquele "estalo". Eu tentei avisar, mas elas saíram com tudo da garagem.
Eu vi o pneu passando por cima do pobrezinho. Ele começou a se debater todo, abriu bem a boca, mostrando os dentinhos e esbugalhou os olhos, foi horrível! Eu tentei pegá-lo, mas vi que tava saindo muito sangue da cabecinha dele, e o pescoço estava quebrado. Ele morreu na minha mão!
Algumas pessoas se juntaram pra ver quando me viram abaixado alisando o pobre até ele parar de mexer as patinhas e abanar o rabo. Alguns lamentaram, outros ignoraram, um mais exaltado esculhambou a motorista (que já estava longe, a este momento, e creio nem ter notado). Quando cheguei em casa, me acabei de chorar.
Meus pais, como quase sempre, foram maravilhosos... Painho ignorou completamente meu relato. Mainha foi direta: "Oxe, pensei que você fosse dizer que tinha sido o cachorro"; depois, chegou no banheiro (para onde levei meu choro), me mandou parar de infantilidade e deixar pra chorar quando o Hachi se for, em vez de chorar pelo gato. Quase berro com a insensibilidade, mas, de certo modo, ela também pode estar certa.
Os amigos facebookeiros dizem que a culpa não é minha, e que o gatinho teve sorte de ter alguém junto dele em sua passagem. Agradeço a gentileza geral, mas parece que não faz sentido. Se foi por minha causa que o bichinho se pôs debaixo daquele carro, então, a responsabilidade pelo desenrolar do caso também é minha. A Yusha foi preciosa ao me lembrar de orar e pedir perdão ao bichano. Foi exatamente o que fiz, mesmo sabendo que não saberei neste plano se este perdão veio ou não. É algo que vou ter que aprender, agora: a conviver com responsabilidade sobre as feridas que infligimos a outrem.
Demorei bastante a dormir. Eu ainda tô com a imagem do bichinho na cabeça... os olhos todos esbugalhados e ele se debatendo...
Eu só nunca na vida imaginei que eu, um dia, me tornaria o assassino de um pobre gatinho.